Ari Machado
   
 



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    A Noite – Elie Wiesel

     

    O nome do autor é Eliezer Wiesel, sobrevivente dos campos de concentração da Alemanha que dizimou 6 milhões de judeus durante a II Guerra. É ganhador do prêmio Nobel da Paz de 1986 pelo seu conjunto de obra (mais de 40). Este livro é o primeiro escrito pelo autor em 1958, estimulado por seu amigo François Mauriac (Prêmio Nobel de Literatura). É um livro denso, condensado e extremamente conciso. Linguagem simples e crua. Um panorama do mal absoluto e de como ele se manifesta. A Noite é a descoberta do mal e da constatação de que este mal advém do próprio homem e independe de qualquer deus ou ser onipresente, mesmo no homem que acredita neste ser.



    Categoria: Livros
    Escrito por Aribra às 09:59
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    Ecce Homo - Friedrich Nietzsche

     

    O livro pode ser considerado como uma autobiografia de Nietzsche, ou seja, esse homem é Nietzsche por Nietzsche. É uma excelente introdução às obras deste autor fenomenal. Prepotente, convencido, insensível, petulante para alguns críticos e para outros sincero, honesto, fascinante e corajoso, desta forma transformando-se em um livro interessante e enigmático. O subtítulo: Como se chega a ser o que se é dá uma prévia e os títulos dos capítulos revelam de forma interessante o pensamento de Nietzche: Por que sou tão sábio; Por que sou tão inteligente; Por que escrevo livros tão bons; Por que sou um destino. Enfim, Nietzche se revela, caso alguém já não conheça este autor. “- Compreenderam-me? – Dionísio contra o Crucificado...”



    Categoria: Livros
    Escrito por Aribra às 13:20
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     Esboço Para Uma Teoria Das Emoções -Jean-Paul Sartre

    Um livro bem pequeno, apenas 94 páginas, porém difícil e muito sucinto. Em poucas páginas Sartre tenta definir o que é Emoção. Menciona diversos psicólogos, psiquiatras, filósofos e antropólogos, tais como: Pierce, Heidegger, Kant, Husserl, W.James, Sherrington, Janet, H.Wallon, Kohler, Lewin, Dembo, Alain, Cannon, Teckel, todos sem referência alguma e como se você estivesse familiarizado com os outros autores, por exemplo: “A emoção é uma certa maneira de aprender o mundo. É o que somente Dembo entreviu, embora não dê a razão disso”, ou este: “O Mágico, diz Alain, é “o espírito arrastando-se entre as coisas.””. Entretanto, se você conseguir passar os obscuros e tortuosos primeiros capítulos onde ele começa a esboçar sua teoria baseando-se em todos os mencionados acima, chega-se afinal ao capítulo onde a teoria é definida.

    Para Sartre a emoção é a mágica que aparece na consciência quando esta se depara com um mundo sem saída. Na emoção a consciência se degrada e transforma este mundo sem saída em algo novo, mágico.  Definindo uma classificação das emoções:

    Emoções transformadas: Condutas que de uma emoção chega-se a outra, o medo pode levar a cólera, da alegria para a tristeza. Você não muda o mundo, apenas lhe revela uma outra perspectiva que não estava sentindo.

    Emoções falsas: Condutas falsas, imitadoras, você recebe um presente e mostra-se feliz quando na verdade o presente e o ato da pessoa lhe são indiferente e até mesmo irritante.

    Emoções Verdadeiras: Condutas sentidas, sofríveis e que lhe levam a alterar o mundo em que vive.

    Emoções Finas: Condutas intuitivas, as mais reveladoras e transformadoras, você fez porque sentiu que era necessário, entretanto, quando surgem na consciência, precisam ser reveladas, analisadas para continuar a transformação.

    A consciência desta forma pode “ser-no-mundo” de duas maneiras diferentes:

    Primeiramente um mundo organizado, em que você transforma agindo sobre um objeto que lhe causa um efeito determinado e assim sucessivamente até atingir um objetivo.

    Ou, de outra forma, um mundo que pode aparecer à consciência como uma totalidade não-objeto, isto é, modificável sem intermediário e por grandes massas, ou seja, o mágico, o mundo afeta a consciência imediatamente. O fato ocorreu e a consciência não tem como negá-lo.

     

    Guia Para a Leitura

     

    Pierce: Charles Sanders Peirce (no caso aqui Pierce, muito comumente na internet e outros autores e , diz-se piercianismo, piercianista, etc.) Filósofo, cientista e matemático americano - Difinição de Hipótese : suposição admissível, soma dos resultados perceptíveis.

     

    Heidegger :  Matin Heidegger – Filósofo alemão. Este filósofo foi muito influente em Sartre e o seu conceito de Dasein - O Ser-aí ou Ser-aí-no-mundo que seria  a tradução portuguesa do termo alemão Dasein, muito usuado no contexto filosófico como sinônimo para existência.

     

    Husserl : Edmund Gustav Albrecht Husserl – Filósofo Alemão - Fundador da fenomenologia.

     

    W. James: William James – Filosofo e psicologo americano. Fundador do pragmatismo junto com Pierce. Pragmatismo: caracterizada pela descrença no fatalismo e pela certeza de que só a ação humana, movida pela inteligência e pela energia, pode alterar os limites da condição humana. Definiu a emoção em dois grupos de fenômenos: Fisiológicos e Psicológicos.

     

    Sherrington : Charles Scott Sherrington - Foi um cientista do Reino Unido. Foi premiado com o Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1932, por descobrir a função dos neurônios.

     

    Janet : Pierre-Marie-Félix Janet - Foi um psicólogo e neurologista francês que fez importantes contribuições para o estudo moderno das desordens mentais e emocionais envolvendo ansiedade, fobias e outros comportamentos anormais.

     

    H. Wallon : Henri Wallon – Medico, filosofo e psicologo francês.  Desenvolveu uma nova concepção da motricidade, da emotividade, da inteligência humana e, sobretudo, uma maneira original de pensar a Psicologia infantil e reformular os seus problemas. Sartre definiu o seguinte esquema a partir deste autor:

      

    Kohler : Wolfgang Kohler – Psicólogo Alemão que foi um dos fundadores da Teoria Gestald : “O todo é mais do que a simples soma de suas partes”.

     

    Kurt Lewin : Psicólogo Alemão – Criador da Teoria do Campo Psicológico, Teoria das Três Etapas e da Hodologia: estudo da conectividade dos neurônios.

     

    Dembo: Tamara Dembo - Discípula e colaboradora de Lewin, escreveu o primeiro artigo sobre o qualitativo em psicologia, intitulado Pensamientos sobre los determinantes qualitativos en psicología. Un estudio metodológico, onde tentou definir toda a dimensão do qualitativo na pesquisa psicológica, até hoje considerado um referencial para essa modalidade de pesquisa.

     

    P. Guillaume : Paul Guillaume – Autor de La Psicologie De La Forme, não confundir com André Paul Guillaume Gide ( André Gide - Francês ganhador do Premio Nobel)

     

    Cannon : W. B. Cannon – Antropologista americano - Teoria da Sensibilidade Cerebral.

     

    Steckel : Wilhelm Steckel – Psicanalista e discípulo de Freud e que refutou a idéia de inconsciente de Freud.

     

     

     

     

     



    Categoria: Livros
    Escrito por Aribra às 12:57
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    Sobre a Beleza - Zadie Smith

    O livro tem uma elegância no linguajar fenomenal, mas deixa a desejar na forma de condução da história. Os personagens são primorosos. A história dos conflitos entre as duas famílias intelectuais, do meio universitário, e das pessoas que os cercam é fascinante. Entretanto, a autora optou por nos conduzir através de eventos que levam a conflitos interessantes e que são cortados abruptamente ao final de um capítulo, quando você reinicia em outro capítulo o tempo já passou e aquele conflito já foi até mesmo esquecido e serve de alavanca para outro conflito que começa a surgir. A autora não aproveita os conflitos para desnudar seus personagens, deixa para a imaginação dos leitores descobrirem como os personagens superaram os conflitos. A única exceção é a explosão da personagem Zora ao descobrir que suas fantasias em relação ao personagem Carl não eram correspondidas, mesmo assim, a descrição desta explosão é relatada de forma tão patética que chega a ser cômica, sem um revelar dos personagens envolvidos sobre a situação acontecida. Aconteceu... Aconteceu e pronto, vamos em frente... Sobre a beleza mesmo, a autora passa por cima e nada diz. Apenas um soneto, roubado, segundo ela própria, de seu marido e colocado aleatoriamente no livro.   O conflito entre os dois personagens (os patriarcas) que deveria ser central acaba sendo apenas uma discussão idiota e preconceituosa. Ao final do livro até pode-se entender porque eles se odiariam dali para frente, porém quando o livro inicia já se odeiam e isso não fica claro em momento algum do por que. Nas artes, a autora perde em poder analisar a musica e suas variações modernas, os patriarcas têm visões diferentes sobre a obra de Rembrand, porém a diferença não é exposta e nem debatida. É a típica cultura inútil que tem uma visão esfumaçada sobre tudo e não sabe nada de nada.

     



    Categoria: Livros
    Escrito por Aribra às 12:47
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